Hype em análise

Checagem de hype: «dispositivos de IA vão substituir os apps»

O chefe de dispositivos da Amazon desenha um mundo sem apps e depois admite que o celular continua.

O que foi dito

No TechCrunch Disrupt, Panos Panay, responsável por dispositivos da Amazon, afirmou que o futuro é de aparelhos em segundo plano que entendem sozinhos o que você precisa, de modo que você deixa de abrir apps. Manchetes transformaram isso no fim da era dos aplicativos.

Por que é exagero

Primeiro, é uma previsão, não um resultado. Panay chamou a mudança de «iminente», mas não deu datas, números nem um exemplo de que essa abordagem já tenha substituído um app.

Segundo, ele mesmo limitou a afirmação. O smartphone não vai desaparecer, e nenhum formato vai tirar o lugar de outro. O que liga tudo, nas palavras dele, é uma «camada de inteligência» que «precisa ser útil». É bem mais modesto do que «os apps vão morrer».

Terceiro, quem fala está vendendo algo. Panay estava no palco no dia em que a Amazon lançou dois dispositivos Bee que gravam áudio de forma passiva e geram anotações. Um aparelho assim acompanha o celular em vez de substituir um app, e a Amazon ganha se o público acreditar numa nova categoria.

Quarto, as promessas de privacidade (áudio bruto não é guardado, transcrições são criptografadas) vêm só da Amazon e não foram verificadas por terceiros. Um aparelho que escuta o dia todo precisa de checagem, não de confiança cega.

Resumo

Assistentes em segundo plano são uma ideia interessante, mas hoje significam notas e lembretes, não a troca do ecossistema de aplicativos.