Hype em análise

O Roadster voador da Tesla: um salto espetacular, não um carro pronto

A Tesla mostrou um Roadster que salta sobre outros carros com propulsores de ar. É um bom show, mas preço, prazo e segurança seguem sem confirmação.

O que foi afirmado

Em um evento perto de Waco, a Tesla apresentou o Roadster de segunda geração. Com dez propulsores de ar comprimido, o carro saltou sobre um Cybercab, um Cybertruck, um Semi, um Model Y e um Model 3. As promessas: de 0 a 100 km/h em um segundo (0 a 60 mph), 300 milhas de autonomia e mais de 230 mph de velocidade máxima. As reservas começam em US$ 50 mil.

Por que convence menos do que parece

Um salto mostra que tanques de ar comprimido conseguem arremessar uma carroceria. Não prova que o carro voa, nem que roda com segurança com esse sistema a bordo. Não se disse quanto tempo dura o ar, que distância permite ou se a manobra se repete.

Todos os números, do arranque em um segundo às 300 milhas, vêm da própria Tesla. Não há verificação independente. Nenhum preço foi anunciado, apenas os valores de reserva. A produção é prometida para 2028, enquanto o carro foi mostrado pela primeira vez em 2017, com entregas previstas em poucos anos. Desde então a data foi adiada várias vezes.

Alguns detalhes preocupam. O mesmo tipo de vaso de pressão já foi ligado a explosões de foguetes da SpaceX, e o próprio Musk disse que segurança não é o objetivo principal do carro. Nada foi dito sobre homologação para vias públicas. Até Musk admitiu que o modelo não vai mexer muito na receita da Tesla.

Conclusão

É uma demonstração, não um produto. Para o comprador só importa isto: o sinal é cobrado agora, a entrega é prometida para daqui a dois anos e ainda não há preço nem números verificados.